«A» Bruto

quarta-feira, agosto 27, 2003

BOA VIAGEM

José Trigo Limpo acaba de tomar o pequeno almoço e prepara-se para se meter com a mulher e os filhos na sua Ford Transit e arrancar para umas merecidas férias em Albufeira do Alqueva. Na biblioteca local Internet é uma miragem - os aparelhos mais avançados tecnológicamente são o vídeo Schneider de duas cabeças mono (a precisar de limpeza) e a televisão Radiola, que há muito não funcionam pois todos já viram os documentários da BBC que a Câmara comprou em VHS. Como a escola secundária está fechada e ele não está para gastar dinheiro no único cibercafé da vila (esses monopolistas!), só no dia do seu regresso poderá continuar a ser espelho duma outra douta realidade. Até dia 16, então.
|| José 6:47 da manhã Brutidades:

sábado, agosto 23, 2003

NOTAS DELGADAS 4

A foto que hoje nos ilustra varia do modelo habitual por causa das notas sobre Delgado. É uma foto de Miguel Mágico, o ventríloquo, e de Fred, o coelhinho com falta de vista. Trata-se de uma analogia.
|| José 7:26 da tarde Brutidades:
MUNDO

|| José 7:21 da tarde Brutidades:
NOTAS DELGADAS 3 (COMEÇA NO 3, EU AVISEI DA DESORDEM...)

O toque Delgado foi encontrado para de um modo muito simples apregoar essa tristeza que é a política externa dos E.U.A., pequenas pistas sobre pequenas pistas interrompidas de forma desavergonhada pela última crónica "Caos no Iraque?", à qual nem os próprios americanos escapariam de adjectivar de biased. Não há em Delgado senão um só amor, uma só paixão, actos de servidão, nem há grandiloquência de qualquer espécie. Há uma voz que maximiza o alcance da mensagem pela simplicidade da escrita, que distorce os factos comunicando apenas os que interessem no momento, conseguindo perder pelo caminho a própria percepção da realidade e da dor dos outros. Delgado é um personagem que consegue reduzir o Iraque a Bagdad, e Bagdad, uma cidade de milhões, a uma cidade de milhares.

Esta falta de grandiloquência, propositada talvez, pretende fazer chegar a mais gente a força dos seus argumentos. Muito mais do que em qualquer outro cronista, há uma enorme necessidade pessoal de angariar fiéis para uma política que apoia, tendendo a, no momento certo, dizer seja o que fôr que ache poder ajudar a causa, sem qualquer tipo de sentimento de culpa pela arrogância moral. Estas "ajudas à causa" em Delgado são dilacerantes da ética, são pequenos actos diários que parecem inesgotáveis.
|| José 6:49 da tarde Brutidades:
SINDROMA DE ABSTINÊNCIA

Fazem-me falta as imagens dos incêndios, já gostava de me sentir tenso, alerta. As notícias sobre o Iraque não me bastam, é longe demais para me sentir da mesma maneira.
|| José 5:50 da tarde Brutidades:
NOTAS DELGADAS

Inicio aqui uma série de notas, observações, indicações sobre um dos meus ódios absolutos, Luis Delgado. Há os cronistas de quem se gosta, os cronistas favoritos e há os cronistas odiados em absoluto - sem os quais nós não teriamos a nossa dose regular de indignação, porque somos "feitos" por eles, como prostitutas da opinião. São muito poucos, felizmente. Já bastaria a homofóbica intolerância de um deles, ainda por cima transportar diáriamente um megafone republicano para uma multidão de ouvidos, falando mais e mais alto.

Estas notas serão desordenadas, tão desordenadas como a sofreguidão Delgada em passar o ponto de vista americano. Vale tudo, desde que seja à volta de Luis Delgado.
|| José 5:45 da tarde Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 30

Escrevi há dois posts atrás que o template é a minha face, mais do que a simples face do blogue. Talvez por isso tenha escolhido este, template exclusivo, custom made no Blogskins. Escolhi-o pelo aspecto bonito e simples, e também porque o template do Abrupto já não estava disponível para escolha no Blogger.

Isto não é contraditório, porque gosto de me ver ao espelho tanto quanto gosto de olhar para este blog, e de um modo geral acho que está bem melhor que o template do Abrupto. Este meu, em vermelho e côr de terra seca, como um Alentejo com papoilas, ficará aqui por... vários séculos?
|| José 5:02 da tarde Brutidades:
CURSO - RECURSO

CURSORECURSO
|| José 1:12 da manhã Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 29

Entendamo-nos:

- este blogue é este blogue
- eu sou imaterial
- a minha vera efígie é o template
- o autor é inidentificável
- o pseudónimo não está por detrás nem p'la frente de ninguém, é muito casto, excepto no que à pseudo-esposa diz respeito e nesse caso está por todo o lado
- raios me partam se não estou vivo
|| José 12:04 da manhã Brutidades:
TEMPOS DE PUREZA

"Cicciolina sta girando un suo film hardcore all'aperto, in un bosco. Durante una pausa dele riprese le scappa da cagare. Va quindi in un posto appartato e comincia a cagare. Quando ha finito deve pulirsi, ma non avendo nient'altro a disposizione strappa delle foglie da un cespuglio e comincia a pulirsi. Passa la prima foglia e subito sente :"Aahh! Grazie!". Cicciolina si guarda in giro, ma non c'e' nessuno e riprende a pulirsi. Appena si passa la foglia sente di nuovo: "Aahh! Ah! Cicciolina Grazie Grazie!". A questo punto Cicciolina si incazza e grida: "Ma insomma piantatela con questo scherzo!! Chi e' ?". La voce risponde: "Sono il tuo culo Cicciolina. Dopo tanta CARNE mi ci voleva proprio un po' di VERDURA!".

Cicciolina era uma grande actriz.
|| José 12:03 da manhã Brutidades:

quinta-feira, agosto 21, 2003

ORIGEM DAS IMAGENS

Seria natural que os leitores me perguntassem sobre a origem das imagens, porque nunca dei quaisquer explicações sobre elas. A resposta seria simples.
|| José 7:53 da tarde Brutidades:
CERVEJAS QUE NUNCA BEBEREI 2

Um grupo de amigos sugeriu-me outras marcas de cerveja à procura de quota de mercado: "Tagus", ou "Cintra". Vem na sequência do "Pode ser Cristal?" que, por sua vez, tem como ponto de partida a influência da Unicer no Alentejo. As cervejas são modestas: bebem-se. Mas não têm garrafa mini, só de 25 cl, e como esses 5 cl a mais fazem toda a diferença, nunca as beberei.
|| José 7:50 da tarde Brutidades:
GRAVITA

SADDAM GRAVITA SOBRE O IRAQUE
|| José 7:37 da tarde Brutidades:
UMA PROCISSÃO POPULAR

Era daquelas genuínas, só para as pessoas de Albufeira de Alqueva, sem ninguém de fora excepto os emigrantes, conhecidos de todos, especial só para a nossa população. Era um acto social puro para a nossa comunidade.

O Sr. Padre Parra decidiu este ano não fazer a procissão em retaliação pelo facto da sua colecta para instalação de ar condicionado na igreja e na sua residência não ter rendido mais do que o suficiente para comprar ventoinhas eléctricas. "O calor afasta-nos de Deus", dizia ele nas suas homilias. O pirata!

A comunidade reuniu-se por um dia à volta do tema do padre e queixar-se-á no dia seguinte ao Bispo. Mas procissão talvez só p'ró ano, se o padre for substituído ou lhe passar a birra. É que há uma força interior invisível neste meio eclesial de corsários, um corporativismo...
|| José 7:33 da tarde Brutidades:

quarta-feira, agosto 20, 2003

MICROCOSMOS

LSD
|| José 11:19 da tarde Brutidades:
FEDRA

Ontem o meu filho mais velho foi pouco amável para com a Fedra, a sua namorada. Ouvi-o dizer-lhe ao telefone:

"Baza! 'Tou farto. Para ti caguei."

Eu percebo a frase para certo tipo de fémeas, para determinadas variantes de fémeas. Percebo também que o meu filho, sendo do lado dos partidários dos relacionamentos fugazes, olhe para a solidez do seu namoro com a Fedra com desconfiança. Mas, lá no fundo da Fedra estão "características de carácter", sobre "características de carácter", sobre "características de carácter", que são de percepção fugaz a um observador distanciado como eu. Digamos que me tocam menos.

Eu sou amador da Fedra devido a uma frase que a ouvi dizer ao meu filho: "o teu pai é uma pedra!" Mas se nos desentendemos sobre o tratamento a dar à Fedra em geral, penso que nos encontramos na opinião de que a rapariga também é uma pedra, sem a qual o meu filho ainda andava eléctrico a fazer noitadas com os amigos para chegar a casa azul de tanto vomitar.
|| José 11:14 da tarde Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 28

Uma nota de circunstância: uma das minhas prisões neste blogue é ter de me pronunciar sobre tudo, sobre a agenda de um outro mundo, sobre a agenda de um elemento da blogosfera. É aliás uma prisão bastante prezada por mim. Eu, que como muitos outros, acabo por viver numa micro-realidade, acabo por aprender com uma macro-realidade e a única coisa que me passa pela cabeça é pronunciar-me sobre ela, adaptando-a à minha.

Eu não tenho liberdade de me pronunciar sobre o que me apeteça, embora muitas das matérias aqui discutidas incluam claramente assuntos do meu interesse. Por isso é inútil tirarem imediatas conclusões morais sobre as razões pelo que o faço. Por isso sou capaz de discutir todos os falsos problemas, problemas colocados de modo viciado, problemas que não me interessam, problemas sobre os quais eu não sei o suficiente nem para ter a veleidade de me pronunciar, problemas sobre os quais acho que já disse o que queria, problemas sobre os quais existem factores de censura e inibição pessoais para outros. Por isso, é mais natural a fala do que o silêncio.
|| José 10:54 da tarde Brutidades:
CHANSON DE LA PLUS HAUTE TOUR

|| José 5:16 da manhã Brutidades:
ALBUFEIRA DO ALQUEVA. ALBUFEIRA DO ALQUEVA

Onde eu gosto tanto de estar.

Estava em Albufeira do Alqueva no dia do apagão da cegonha. Lembro-me, como hoje. Meia hora depois, os empregados de restaurantes e cafés começaram a fechar os estabelecimentos, com uma habilidade, longamente reprimida, para, uma vez na vida, saírem mais cedo do emprego.

Devido às enormes dificuldades que a falta de luz causa numa vila pobre como Albufeira do Alqueva, as pessoas choravam comida descongelada, falavam mal da EDP umas com as outras e iam esperando como podiam.

Na pensão da D. Carmelita, a Pensão Imperial, uma pensão onde nem os ratos queriam passar a noite, um hóspede acendeu uma ganza de erva e já relaxado, deixando-se dormir, pegou fogo à cama e num instante ao resto do quarto, só acordando quando ouviu ao fundo a chinfrineira das sirenes dos bombeiros e com o ar a cheirar a fumo. Na entrada da pensão, os bombeiros organizavam-se para a subida ao primeiro andar pela única escada que lá havia, ainda mais escura agora com o fumo, sem janelas para o fazer sair. Os bombeiros lá foram com lanternas, cheios de medo que a velha escada de madeira não suportasse o peso de tanta gente ao mesmo tempo. Alguns desses bombeiros esqueceram-se de desligar o gás e retirar as botijas e contribuíram para o grande bum que levou à destruiçao da pensão e à sua morte.

Presumo que depois deste dia, as coisas nunca mais tenham sido as mesmas no quartel dos bombeiros, mas, pelo menos agora os homens têm formação e o povo já confia neles outra vez.
|| José 2:50 da manhã Brutidades:
FOGUETES

As festas em Albufeira do Alqueva são de sexta a oito dias. Os foguetes já chegaram e o presidente da câmara já assegurou junto do capitão Prazeres e Morais da GNR da localidade que vai haver vista grossa. Temos festa!
|| José 2:47 da manhã Brutidades:
AVARIAS

Devido a avarias feitas pelo meu filho mais novo que andou a consultar páginas pornográficas na Internet, este blog teve falta de manutenção. O raio do miúdo provocou a instalação de um programa que não me deixava aceder ao meu fornecedor de serviço e que fazia uma chamada de valor acrescentado para a Serra Leoa para acesso a um serviço carregado de fotos e filmes de conteúdo sexual.
Agora que já aproveitei para sacar o que me intessava e castiguei o miúdo, isto vai voltar ao que era.
|| José 2:43 da manhã Brutidades:
KARMA

|| José 2:36 da manhã Brutidades:
CERVEJA QUE NUNCA BEBEREI

Ás vezes há procura de rega para a seca da minha garganta, dou com isto. Desde que a Unicer começou a ter maior predominância no Alentejo que a Central de Cervejas que sou perseguido pela Cristal porque o raio dos donos dos cafés deixaram de comprar Sagres. Não sei porquê, será receio, cagufa, pura incapacidade de romper o contrato com o fornecedor ou manter dois contratos ao mesmo tempo?

É o caso de Albufeira do Alqueva, onde me sento nos mais variados cafés ou tascas, peço uma mini Sagres e perguntam-me se pode ser Cristal. Eu quero uma mini Sagres, eles só têm mini Cristal. Vá lá que alguns não quiseram saber de mudanças e foram fiéis à Sagres. Lixaram-se para a oferta de copos, de barris, de toldos, cadeiras, cinzeiros, e assim eu não fiquei lixado com eles, sempre que posso é lá que vou matar a sede. Mas quando vou a outro lado onde têm contrato exclusivo e me perguntam se pode ser Cristal eu peço antes uma água com gás, Frize que é da Compal, nada de Vidago ou Pedras que são da Unicer.
|| José 2:30 da manhã Brutidades:
RESPONSABILIDADE

O noticiário da TVI é o meu preferido. Ao vê-lo fico a saber as coisas que se passam junto das pessoas deste país, os seus problemas, desgraças, pedidos de auxílio. Também gosto de saber aquilo que outros gostam de esconder, que este país está cada vez mais violento, que o crime aumenta a olhos vistos, que já não há a segurança de antigamente quando saíamos à rua. Com a excepção do Correio da Manhã nos jornais, mais ninguém nos descreve a realidade do país como a TVI no seu serviço noticioso. É ao sabermos com quantas linhas se cosem os criminosos deste país que podemos criar planos de defesa pessoal, de outra forma podemos sair à rua e nem voltar. Foi por causa da TVI que passei a andar com as portas da carrinha trancadas, mesmo quando estou perto de casa ou em Albufeira do Alqueva, zonas sem grandes problemas de criminalidade. É graças aos seus repórteres que fiquei a conhecer as mais recentes técnicas de burlas, como a da carteira cheia de jornais que nos pedem para guardar ou a dos fiscais do Banco de Portugal que recolhem "euros defeituosos" de porta em porta.
Há contudo que reconhecer que, no caso dos incêndios, a SIC fez um melhor serviço que os outros todos. Fosse onde fosse, tinham sempre um jornalista em cima do acontecimento, mesmo em cima das chamas, tão em cima que às vezes não deixava passar os carros dos bombeiros. As entrevistas aos bombeiros enquanto eles apagavam o fogo, aos populares enquanto resistiam com pequenas mangueiras ao lume a metros das suas casas, aos amigos das pessoas falecidas, ajudaram o resto do país a compreender a dimensão do que se passava.
Mas geralmente prefiro a TVI. A TVI é que faz um verdadeiro serviço público. Os intelectuais que se ocupem dos problemas que se colocam à mente e vejam o sisudo Telejornal da RTP, que o povo fica com a TVI, muito obrigado.
|| José 2:04 da manhã Brutidades:
KARMA?

|| José 1:46 da manhã Brutidades:
PRESENTES MATINAIS PARA OS ARMADORES DE COFRAGEM

Haverá armadores de cofragem na blogosfera?

É difícil que hajam, mas é com grande entusiamos que lhes recomendo o catálogo do AKI. Tudo o que necessitam para aplicação na anatomia de um prédio há ali no AKI. É um catálogo enciclopédico das ferramentas, dos cimentos, das ferragens necessárias. É uma obra revolucionária, ao intercalar os anúncios aos produtos em stock com conselhos úteis para nabos pouco práticos nas coisas da bricolage, como eu.

O livro é difícil de encontrar e deve estar esgotado - afinal já estamos em Agosto - e o AKI não deve estar para fazer uma nova edição, que aquilo são carradas de páginas, que tornam pesada a leitura quem não costuma andar a carregar baldes de massa.
Existe, no entanto, uma edição em linha que permite conhecer toda a oferta, embora deixe de fora os tais conselhos práticos. É melhor que nada.
|| José 1:42 da manhã Brutidades:

sexta-feira, agosto 15, 2003

TIOS NA ROCHA

|| José 3:46 da manhã Brutidades:
A VER

Muitos americanos a pé, sem alternativa para se deslocarem para casa. O retrato de uma nação altamente dependente, com uma política energética despesista, onde se consome como se não houvesse amanhã.
Pode ser que os prejuízos que isto causar os leve a pensar em poupar, em alternativas ecológicamente amigas, na diminuição da dependência dos derivados do petróleo.

A energia prova ser a verdadeira arma de destruição maciça. Quem será que vão atacar desta vez? Os canadianos?
|| José 2:42 da manhã Brutidades:
DISSOLUÇÃO

|| José 1:57 da manhã Brutidades:
SCRITTI POLITTI

Do álbum Cupid And Psyche 85, Perfect Way:


I took a backseat a backhander
I took her back to the room, better get back to the basics for you (Oh yeah)
You gotta conscience, a compassion, you got a way with the word
You got a heart full of complacency too (but its not like that)
I don't have a purpose omission, I'm empty by definition
I got a lack girl that you'd love to be (Ooh)
You wanna a diva a deduction, you wanna do what they do
You wanna do a damage you can undo (up until the day)

Apart from everyone
Away from your life
A part of me belongs
Apart from all of the hurt above

Chorus:
I got a perfect way to make a new proposition
I got a perfect way to make a justification
I got a perfect way to make a ceratin a maybe
I got a perfect way to make the girls go crazy

I took a day job, amendment
I took a liking to you
I took a page out of my rulebook for you
You want a message, a confession
You wanna martyr me too
You want a margin of error for two
(But it's not like that)
Maybe tomorrow, the next letter
Or when the weather gets better
I gotta wait here for your moon to turn blue
I made an offer, an exception
I made a sense out of you
You took a good look at your book and I knew
(Up until the day)

In times of tenderness, and tears baby so true
Until such time as I can understand the things you do

CHORUS

Want to forgive you for the things that you do
Wanna forget how to remember with you
Maybe tomorrow, the next letter
Or when the weather gets better
I gotta wait here for your moon to turn blue

Apart from everyone
Away from your life
A part of me belongs
Apart from all of the hurt above

I got a perfect way to make a new proposition
I got a perfect way to make a justification
|| José 1:47 da manhã Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 26 - (walk down memory lane, ou na tradução do Babelfish, da caminhada pista da memória para baixo)

Os freaks que se interessam por notícias passadas têm aí ao lado direito os arquivos a funcionar. Quem prefere ler e depois esquecer, tem a minha compreensão.
|| José 1:25 da manhã Brutidades:

quinta-feira, agosto 14, 2003

TEMPOS DE PUREZA

Também aqui cabe o poema do Pouca-Sorte de Alcáçovas, que está mais abaixo, na parte do «A» Bruto enterrada no esquecimento, mas para a qual sei fazer ligações. Também só com uma pureza inicial, uma pureza do coração absoluta, o olhar de António Banha pode ver em Alcáçovas, o que Alcáçovas se tornou. Para os alentejanos, qualquer um deles, essa pureza vinha de um amor interior pela terra, pelo orgulho na terra. A verdade não é complicada, admitir os erros da reforma agrária é que é.
|| José 2:03 da manhã Brutidades:
MICRO-CASAS

As razões por que cada um tem uma casa são em tudo iguais mas a igualdade entre as casa já depende da riqueza das pessoas. Uma visita a várias casas revela que há pessoas que pouco mais conseguiram que um tecto sobre a cabeça e há pessoas que habitam no luxo. Há casarões, casas médias, pequenas casas e micro-casas - e há gente sem casa.

Se as grandes casas me parecem ostensivas em relação à realidade do país, já aquilo a que chamo micro-casas não são solução para ninguém.

Veja-se o caso dos jovens. Haverá mesmo quem, com um sorriso de lado, tenha o descaramento de zombar de Fulano e de Cicrano por se sujeitar a comprar uma casa microscópica na metrópole por falta de fundos para melhor, quando com muita artimanha conseguiu comprar um T-3 de 40 mil contos na Expo com crédito jovem bonificado. É, o fim do bonificado acabou com estes abusos mas também acabou com o sonho de boa parte da juventude que dele necessitava para comprar uma casa condigna. Não vejo ninguém a discutir isto, sobre o que podemos fazer para resolver o problema da habitação jovem, nem a pressionar o governo para acabar com os preços proibitivos que os construtores e imobiliárias pedem pelos andares novos ou usados, nem a ajudar no crédito dos que compraram habitação. Não há nada que os jovens que conseguiram comprar casa mais temam do que a possibilidade das taxas de juros subirem e poderem ser confrontados com a impossibilidade de pagar o crédito ao banco, por mais prevenidos e poupados que sejam.

Penso, no entanto, que estas micro-casas não fazem sucesso de vendas. Não se trata de falta de clientes, trata-se de falta de dinheiro, que só aparece na mão de alguns quando a casa é da gama média-alta ou de luxo. Aliás, estas micro-casas nem por isso têm um micro-preço e ficam por vender. Só as casas caras são imediatamente compradas, muitas vezes como investimento e não para serem habitadas. Isto cria uma migração para os arrabaldes da metrópole, para onde as casas são mais baratas e as dimensões das divisões maiores. E mesmo aqui na Amora isso acontece, com os jovens a só conseguirem comprar casa decente no Casal do Marco ou ainda mais longe, na Quinta do Conde, ou seja, nos arrabaldes dos arrabaldes.

Eu acredito que uma nova legislação de apoio à habitação jovem ou pelo menos o estímulo do mercado de arrendamento é urgente para apoiar os primeiros passos dos jovens deste país.
|| José 1:52 da manhã Brutidades:

quarta-feira, agosto 13, 2003

TUMULTO

|| José 7:56 da tarde Brutidades:
SONS DE ABRIL - CONTRIBUTOS

Mais uma vez, não posso dizer que alguém tenha contribuído. Nem sequer ninguém se encanitou por ter chamado aos sons de Abril "música pimba para parolos de esquerda". Isto é mais uma prova de que o 25 de Abril foi esquecido. Como tal, contribuo eu.
Esta foi a senha para o início da revolução. Letra de José Niza, música de José Calvário e cantada por Paulo de Carvalho, marcou a época.
Esta letra levantou-me uma dúvida que se manteve durante muitos anos. Já não me faz confusão que ela se tenha entregue em flôr duas vezes ao Paulo, coisa que seria anatomicamente impossível. É que só com atenção percebi que na primeira o Paulo não lhe deu nada, deixou-se dormir, o mandrião.

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
|| José 7:44 da tarde Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 25

Sou fiel aos sítios onde aprendo e o Cruzes Canhoto é um deles.

Há uns dias, fiquei a saber que um cientista da Nova-Zelândia organizou uma expedição paga pelo Discovery Channel para filmar uma lula gigante tarada sexual.

O problema é a mediocridade da televisão actual, a fartura de dinheiro para meios disponível, o próprio modo como a ciência se vende pela notoriedade, parece alimentar impulsos e pôr de lado o bom senso. Pobres de espírito, ficam satisfeitos com o nível de notoriedade que atingem.

*

Pelas mesmas razões de aprender, de aprender a ter alegria, também volto ao Blog dos Marretas. Lá não há Deus nem Diabo, há uma prova de ecumenismo idiológico. Ou por outro lado, há Deus e o Diabo ao mesmo tempo. Seja como for, sempre com inteligência e boa disposição.
|| José 7:17 da tarde Brutidades:
VER A NOITE

Ver uma coruja é um privilégio raro, porque os caçadores mataram-nas quase todas. Dizem eles que pensaram que eram rolas. Os caçadores não pensam.
|| José 6:04 da tarde Brutidades:
TEMPOS DE PUREZA

Deamus ad montem fodere puctas cum porribus nostrus - Vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas
|| José 6:02 da tarde Brutidades:
ENTRE O MAU E O PIOR

Aqui há uns anos passei umas férias no Vale Serrão, concelho da Pampilhosa da Serra. Na zona abundam festas e deslocavamo-nos os quilómetros que fossem precisos para ir aos seus bailes, espectáculos e sobretudo para ver os seus fogos de artifício. Uma noite fomos ao encerramento das festas de Oleiros, conhecida pelo seu grandioso final com um prolongadíssimo espectáculo de fogo de artifício.
Bebi umas minis, comi umas bifanas, dancei ao som desse grande artista emigrante de nome Jorge Ferreira, diverti-me. Mas confesso que me fez confusão quando começou o fogo. O dito era lançado logo ao lado do recinto das festas, rebentando mesmo por cima das pessoas num barulho enorme. Consegui-me desviar de todas as canas, mas não consegui evitar uma enorme dor no pescoço de olhar para cima. Os bombeiros de prevenção ainda tiveram que apagar um pequeno foco de incêndio, não causado pelas canas, mas pelo aparelho lançador que estava fixo a um chão cheio de mato seco e rodeado de árvores. Mas valeu a pena, porque nunca tinha visto um fogo de artifício assim.
Perguntei porque o fogo era tanto e tão prolongado e fiquei a saber que Oleiros tem uma relevante indústria pirotécnica, criadora de emprego e geradora de lucro no concelho, tão ou mais importante que a exploração florestal.
Agora que a floresta do concelho ardeu, se não deixarem em paz a indústria pirotécnica e proibirem o lançamento de foguetes no país, Oleiros morre ainda mais, causando ainda mais desgraça na população.
|| José 5:56 da tarde Brutidades:
VIOLÊNCIA

O ciclismo é um desporto muito mais violento que nós próprios pensamos. Apesar de ser uma prova desportiva, o seu intuito é comercial. As equipas na sua maioria pertencem a empresas privadas e não a clubes, pelo que independentemente da elevada temperatura ou do fogo rondar as estradas por onde decorre a prova, a Volta a Portugal tem que continuar. Se não se realizasse, as perdas ao nível publicitário seriam enormes para as empresas que patrocinam esse desporto podendo ameaçar a própria continuidade da modalidade. A culpa é da sociedade de consumo.
Pelo menos agora, se um ciclista cair está protegido pela obrigatoriedade da utilização do capacete, que poucos antes usavam porque aumentava o calor.
|| José 5:32 da tarde Brutidades:
FOGUETES

Em Albufeira do Alqueva e populações em redor vão haver foguetes, apesar da nota do MAI.
|| José 5:23 da tarde Brutidades:
SEM NADA



Daqui.
|| José 5:21 da tarde Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 24

Este paciente espelho das anti-notas agradece as boas vindas e aproveita para informar que nunca fez disto profissão nem deseja fazer. Trata-se de uma brincadeira que tem como objectivo o entretenimento do autor, de quem lê e mesmo de quem é espelhado, nunca de uma provocação, nunca de maldade.
As instrucções e os requisitos para ler este blog são as seguintes:

- Possuir sentido de humor
- Abrir este blog e o Abrupto em simultâneo no ecrã do computador e efectuar a leitura em paralelo
- Encarar os textos de forma despreocupada e nunca levar à letra o que se lê
- Estar atento à facilidade com que se altera um discurso de direita para discurso de esquerda, usando praticamente as mesmas palavras e argumentos, invertendo-lhes o sentido

Desistir é para os fracos, mas considera-se como possível essa hipótese no caso da já abundante produção do outro lado do espelho se tornar demasiadamente copiosa e prolixa. Mais possível ainda é que José Trigo Limpo passe a viver apenas alguns dos episódios diários, seleccionando-os, em vez de reflectir por completo as entradas do Abrupto como agora.

Entretanto, relembro o primeiro post, de título Apresentação ou Disclaimer, conforme aplicável:

José Trigo Limpo, personagem fictícia, sorve avidamente as palavras de José Pacheco Pereira. Vive no país real, do qual é digno representante, mas sonha ter uma vida diferente. Dessa forma, imita as vivências diárias relatadas no Abrupto, embora comparativamente esteja limitado no espaço, no tempo e no nível intelectual. Pode mesmo dizer-se que é um fã do deputado europeu.
Dividido entre a residência num subúrbio da Margem Sul do Tejo e o Alentejo, onde é membro da Assembleia Municipal do Concelho de Albufeira do Alqueva, adapta para o seu universo as experiências e opiniões publicadas no Abrupto no dia anterior.
É de esquerda embore admire inconfessadamente Pacheco Pereira. Na autarquia, na qual partidos à direita do PS não têm expressão em termos de votos, é conhecido por não ter papas na língua, mesmo quando fala contra o seu próprio partido. Acima de tudo é respeitado pelos seus conterrâneos e camaradas do Partido Alentejano dos Excluídos Sociais (PAES).

Não há intenção de José Trigo Limpo parodiar Pacheco Pereira. O pretendido é transformar episódios que reflectem experiências que só estão ao alcance de alguns como as publicadas no Abrupto, adaptando-os para o contexto do muitíssimo comum homo portugalis.
|| José 1:56 da manhã Brutidades:
VER A NOITE

Olhei pela janela e o que vi? Fogo de artifício. Deve ser para os lados da Moita. Bom presságio para as festas de Albufeira do Alqueva que cada vez mais se sente amparada por outros exemplos. Vamos deitar foguetes de certeza.
|| José 1:20 da manhã Brutidades: